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Mais entidades empresarias tomando as rédeas e menos governo no governo do turismo. Para o turismo, se não for de outro jeito seguiremos com resultados pouco convincentes. Segundo o MTUR, o Brasil com toda sua diversidade continental recebeu em 2014, 0,5% do fluxo internacional. De cada 1000, 5 vem ao Brasil. Parte deste resultado horrível se dá como consequência direta do demasiado e histórico controle do estado sobre uma atividade que é essencialmente empresarial. Está na hora de repensar a relação entre público e privado de uma vez, no que tange ACESSO AO MERCADO e sobretudo GOVERNANÇA, a luz da democracia responsável.

Diferentemente de outras atividades dentro da esfera pública, a atividade turística depende de um envolvimento maior do empresário local ao contrário da saúde, educação ou segurança por exemplo, que são atividades do, para, por e pelo público. Cidades onde o turismo tem efetivamente seu valor tanto na arrecadação do município, como na percepção da sociedade pelos seus impactos positivos (empregos e negócios gerados) optaram por realizar a gestão do turismo verdadeiramente e institucionalizada, em parceria com a iniciativa privada. São eles os verdadeiros detentores do conhecimento sobre o mercado, suas necessidades e prioridades. Estão ali pelos seus negócios, não por mandatos. É importante salientar que o turismo é onde o turismo acontece. É ele a galinha dos ovos de ouro.

Por outro lado, muitos técnicos das secretarias de turismo dos quais converso reclamam justamente desta falta de participação, apoio e articulação dos empresários com as ações do poder público. Me comentam atônitos, e argumentam que o fruto desta cooperação resulta justamente em turistas para o seus estabelecimentos, o que evidente. Portanto, surge a questão (e não sei se você já a fez): Como é que eles não participam, se o resultado será deles em primeiro lugar com a vinda de mais turistas? Parece a coisa mais paradoxal do mundo, não?

Mas a explicação deste “fenômeno” é simples e tem suas raízes na própria dinâmica e posicionamento de todos. Este histórico paternalismo chapa branca “do tudo faz e que tudo resolve”, atrapalha o desenvolvimento da atividade turística em seu pleno potencial. Isto porque, ele acaba por excluir a sociedade turística da tomada de decisão em todos os níveis. Desta forma e por sua vez, faz com que o empresariado adote uma posição de mero observador, pois sabe que a decisão no final do dia não será dele. Logo se “acomoda” passando a ver a dinâmica com ceticismo sabendo que dali a 2 anos (ou menos) o executivo da pasta de turismo já terá deixado seu posto. E que venho o próximo, esperando pelo melhor.

Pois é. Esta percepção alimentada pela vaidade do poder público engessa as estruturas que poderiam e devem ser os instrumentos democráticos participativos de gestão pública do turismo, como é o caso principalmente dos os conselhos municipais de turismo (COMTURs). No meu entendimento são eles que devem ser o principal condutor das Políticas de Turismo no Município, na medida em que é única forma de institucionalizar o peso da experiência da presença da iniciativa privada e de suas decisões.

É fato. Com raríssimas exceções, no Brasil eles são excessivamente controlados pelo Município (Estado), o que é um erro. São em sua maioria consultivos sendo compostos majoritariamente por entidades chapa-branca, o que é outro erro, pois a iniciava privada pouco pesa nas decisões. O seu corpo diretivo, presidência é indicado ou ocupado pelo secretario de turismo, o que é um erro ainda maior. Em outras palavras, se o poder público quer mudar o perfil de participação do empresário e das entidades empresariais, e com isto, poder contar com todo o poder de fogo para catapultar o turismo em qualquer cidade, deve começar a repensar a balança institucional das relação ganha-ganha onde as responsabilidades são compartilhadas, cooperadas, colaborativas, entendidas e compreendidas, ficando mais fácil percebê-las.

Este paternalismo mistura e embaça o entendimento do que é responsabilidade e dever do público e o que de responsabilidade e dever do privado ao desenvolvimento da atividade turística séria e eficaz. Em pleno século XXI, não tem mais sentido existir esta governança piramidal de cima para baixo. Não há outro caminho. Não há mesmo. Esta Política de Turismo que advogo em que há uma inversão da “pirâmide de poder”. É bom para todos. No próximo texto, semana que vem, colocarei as vantagens turísticas e políticas deste método de Politica Pública Municipal de Turismo.