Se por um lado a relação entre o Perfil Econômico das Cidades x seus Eventos está uma bagunça, há luz no final do túnel quando o assunto é cooperação. Nesta PARTE II, apresentamos um resumo do que foi relevante como cenário do que acontece na ponta. Lá onde realmente importa, que são os Municípios. Então vamos lá…

Partimos do princípio que se uma Cidade tem um sobrenome, como por exemplo “terra da laranja” ou “terra das cachoeiras”, seria natural que ela aproveitasse isso tudo e fazer deste diferencial sua grande estratégia. Certo? Pois é. Ainda que 100% dos C&VB disseram que a sua Cidade tinha uma marca ou era reconhecida pela”, somente 9% destas realizaram eventos cujo tema seja relacionado de alguma forma com este perfil

UM ABSURDO E SEM FUNDAMENTO. Cidades que valorizam seu DNA, comentem um erro sem precedentes. Trata-se de uma inversão da lógica de tudo. Isso é muito mais sério do que você imagina. Quando um município não olha para o que tem de melhor, perde toda e qualquer possibilidade da legitimidade do Turismo como instrumento de desenvolvimento do Município. Além disso, não contribuiu com o tão necessário sentimento de pertencimento e de orgulho do munícipe para com a sua própria terra. Estrategicamente, ele perde competitividade o que impacta na captação de dinheiro novo…de geração de empregos e muito, mas muito mais mesmo!! :((

Partindo do conceito de COOPERAR PARA COMPETIR e diante deste cenário exposto, miramos na identificação dos PROCESSOS DE COOPERAÇÃO, onde foram utilizados basicamente dois critérios: ACESSO AO MERCADO E GOVERNANÇA. Entendo que numa perspectiva de Brasil, um C&VB deve atuar sempre nestas duas frentes, buscando oportunidades de negócios, e atuando diretamente no processo de tomada de decisão acerca da gestão do Turismo Municipal. É assim que deve ser.

Me chamou muito a atenção de que somente 6% dos C&VB, os mantenedores fazem normalmente compras coletivas de insumos para seus empreendimentos. Por outro lado, foram identificadas iniciativas interessantes, ainda que esperadas para um C&VB. Por exemplo, 40% deles promovem que mantenedores visitem juntos Feiras de Turismo, como ABAV. E o que me deixou muito feliz foi detectar que em 57% dos C&VB é considerado hábito trocar informações sobre mão-de-obra. E que indicar outros mantenedores na ocorrência de overbooking, ocorre normalmente em 97% dos C&VB.

OBSERVE QUE BACANA ISSO. Olha aí a cooperação dando ar da graça!!! Isso é uma boa notícia. Há luz no final do túnel…Estas iniciativas estão dando uma dica por onde a coisa deve ir… Se você que me lê é gestor de C&VB, fique atendo a estas mensagens.

Seguindo…

Na sequência, houve um fato muito interessante.  Menos de um terço (29%) dos C&VBs tem o hábito de fazer juntos, com a coordenação do C&VB, ações promocionais para captar eventos. Mas em contra partida, realizar tais ações, sem a coordenação do C&VB, ocorrem de forma habitual em 26% das entidades pesquisadas. Em outras palavras, aparentemente, a diferença da presença ou ausência do protagonismo dos C&VB neste tipo de ação não é significativa. Em português claro, não há uma percepção da atuação dos C&VB nesta frente por parte dos próprios… Isso é grave. Perceba outra menagem aí…

E por fim, no critério governança atrelada a gestão da política de turismo do Município, de acordo com os próprios C&VB ,em somente 17% dos casos, há o movimento entre os mantenedores no sentido de intervir junto ao Poder Público Local na indicação do Secretário de Turismo.

INFELIZMENTE isto mostra que os C&VB tem pouca força política, mas que no entanto deveria ter por possuir em seu corpo de mantenedores diversos CNPJs… do Município.  Outra vez, uma falta de lógica que reflete a falta de um Sistema Nacional de Turismo que funcione. E pelo fato de que no Brasil os C&VBs serem entidades independentes, e que não estão inseridas como deveriam (financeiramente falando), é fundamental que estratégias mais inteligentes sejam melhor desenhadas, sobretudo e exatamente nas áreas de Acesso ao Mercado e Governança. Os C&VBs merecem um lugar de maior destaque…

Apesar desta parte da pesquisa fazer um recorte das muitas facetas e dimensões do que acontece, é também um extrato e retrato do Mapa das Políticas de Turismo que ocorre hoje lá na ponta…no Município, que é onde o Turismo realmente acontece.

Por enquanto é isso. Até a PARTE III, semana que vem, dia 17 de Abril.

Abraços Eduardo Mielke. 

 

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Para quem não me conhece, meu nome é Eduardo Mielke. Meu trabalho é auxiliar Governos na busca por  processos cooperativos que resultem numa melhor articulação entre ele, Terceiro Setor e o Empresariado. O resultado e o que importa mesmo, é a geração de emprego e renda local. O resto é conversa fiada.

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